Irresponsabilidade impune

António Nunes, o polémico e ultra mediático director da ASAE, que tanto quis dar nas vistas promovendo as acções do organismo que dirige, fazendo-se até acompanhar pela maioria dos órgãos de Comunicação Social, parece ter arranjado um imbróglio ao Governo de Sócrates que ao que parece criou uma entidade que de constitucional nada tem. De facto, nos últimos tempos, aquele que se julgava o todo poderoso na área da fiscalização, parece ter-se esfumado, quando antes aparecia na nossas casas via televisão diariamente, exibindo um bigode quixotesco, sempre acompanhado de mascarados ao bom estilo de gang organizado, com caçadeiras de canos cerrados a revistar tudo e todos.

Passados que foram uns anos de verdadeira perseguição, especialmente aos comerciantes e proprietários de estabelecimentos de restauração, chega-se à conclusão de que as funções de que estava investida aquela organização são ilegais, pelo que o legislador terá metido a pata na poça.

Isto quer dizer que o Governo de Sócrates legislou e deu cobertura a actos ilegais praticados por aquele organismo que a determinada altura, sob a voracidade e impunidade com que actuavam os agentes de António Nunes, grande parte dos empresários de restauração fechavam as portas quando lhes chegava o cheiro da ASAE.

A avaliar pelas farroncas de António Nunes quando anunciava os resultados das operações, muitas terão sido as vítimas da prepotência dos seus “encapuzados”, o que significa que mais uma vez o povo português verá o erário público assaltado, pagando indemnizações por actos cometidos por irresponsáveis, mais concretamente, pelo legislador, pelo fiscalizador e sobretudo por Sócrates que sempre quis fazer brilharetes, mostrando a sua austeridade e prepotência com o dinheiro dos portugueses.

Não há forma que determine regras, que responsabilize os fautores, fazendo pagar dos seus recheados bolsos as asneiras que cometem? Enquanto assim for, estamos lixados, porque a nossa democracia isenta sempre os governantes e penaliza o contribuinte a quem não cabe culpa alguma. Acabe-se de vez com este sistema de irresponsabilidade, mesmo que seja à cacetada, porque a revolução que nos impingiram não foi mais do que uma farsa.

Gangues deso(ficializados)

As autoridades portuguesas, mais concretamente o ministro da Administração Interna, só agora se deram conta que um dos negócios mais florescentes em Portugal é o tráfico de armamento. Esta situação raia a pouca-vergonha, ou seja, embora a lei o proíba os seguranças dos bares e discotecas nocturnas estão munidos de armas ligeiras que as nossas forças especiais nunca viram, o que põe em causa a segurança dos cidadãos e consequentemente dos seus bens.

Ao que parece quer as nossas forças policiais, quer mesmo as de investigação, assobiam para o ar como se nada se passasse. Quantos crimes foram cometidos e quantas pessoas morreram nos últimos tempos, especialmente junto a estabelecimentos nocturnos? Será que houve uma investigação séria? Quais foram os resultados obtidos se as mesmas investigações não conseguiram localizar os traficantes, quando toda a gente sabe que a proveniência desse arsenal é a Espanha e o Brasil?

Palma Inácio, falecido recentemente, era um autêntico aprendiz de feiticeiro face aos actuais traficantes, alguns dos quais não precisam sequer de contactos exteriores para adquirirem as armas, basta-lhe somente ter um polícia, um militar ou um armeiro amigo. Como??? Porque estes senhores têm acesso aos leilões de armamento de guerra oficiais, onde adquirem todo esse material ao preço da uva mijona e o vendem a um qualquer por preços astronómicos. Embora me sinta satisfeito e feliz com o emprego que tenho, fico a pensar – como ex-capitão miliciano – se não valerá a pena entrar neste negócio, que não é por certo exclusivo só destes senhores; noutros tempos um almirante de má memória (para quem esteve em Angola), e outro que trocou os cavalos pela “nobre” profissão de traficante de armas, se deram muito bem.

Poderá algum português estar descansado face e esta ameaça à segurança de todos nós? Acho que não. Falta-me saber qual é a opinião de Sócrates. Será a mesma?

Mentiras e aleivosias do Vasquinho

Portugal edita diariamente cerca de 40 títulos de novos livros, a maior parte dos quais de duvidosa e péssima qualidade. Desde Júlia Pinheiro, a mediática apresentadora, que imita muito bem as vendedeiras do mercado do Bulhão – sem ofensa para estas dignas profissionais – até às mais colunáveis figuras que só elas sabem que o são, é um proliferar de títulos que nunca mais acaba num país onde para além dos jornais desportivos pouco mais se lê do que os horóscopos da Maia e de uns quantos pseudo- astrólogos. Tudo isto não passa de uma guerra entre editoras que tal como acontece já com a Comunicação Social se constituíram em verdadeiros cartéis.

Embora seja um frequentador assíduo das livrarias, fico cada vez mais estupefacto com a nenhuma qualidade do que se publica.

Mas aquilo que mais me chocou nestes últimos tempos foi o livro do Vasco Lourenço, que mais não é do que uma fraude, pejado de inverdades num auto-elogio de quem se julga dono da Revolução. A maior parte dos militares citados naquele desprezível livro foram meus colegas na tropa. Conheci-os pessoalmente, privei com eles nas messes, mas sobretudo no meio da mata onde dividia-mos as miseráveis rações de reserva, quantas vezes debaixo de fogo.

Curiosamente, aquele militar que à data da Revolução até estava nos Açores. Revolução para que muitos trabalharam, inclusive os oficiais milicianos a quem trata abaixo de cão, quando foram estes que deram o corpo ao manifesto e às balas, e que serviram de mote e justificação ao 25 de Abril, já que os senhores do Quadro Permanente não aceitavam a ascensão profissional destes militarem, uma vez ingressados na carreira militar. Este ciúme exacerbado resultava naturalmente de uma coisa muito simples: os oficiais milicianos tinham na sua maior parte cursos superiores ou frequentavam universidades.

Naturalmente que os milicianos como eu, que cheguei a Comandante de Companhia, estão-se borrifando para o conteúdo do livro, por sinal escrito com os pés, numa simulação de entrevista encomendada. Mas como reagem Sanches Osório, Victor Alves, Ramalho Eanes, Diniz de Almeida, Almeida Bruno e tantos outros que estiveram sempre na linha da frente da Revolução?  Quantas voltas já terão dado na cova as ossadas daquele que era o mais politizado militar português Melo Antunes?

Que estratego foi Vasco Lourenço, se como diz foi o mentor da Revolução e se deixou ultrapassar por Spínola, que recebeu das mãos de Marcelo os destinos da Nação, quando o homem das melenas não queria generais no Movimento? Posto isto e outras aleivosias e mentiras, não há militar que o desmascare? No meu tempo o termo Militar escrevia-se com EME grande…

Des(colunáveis)

Maria João Pires, que nunca se preocupou em prestar contas dos subsídios que recebeu para a sua Fundação, quer renunciar à nacionalidade portuguesa por estar farta de levar “coices” de Portugal. A senhora pode fazer o que muito bem entender, até mesmo pedir a nacionalidade zimbaboiana. Do mesmo modo, poderia cumprir com os compromissos que assumiu com os colaboradores que contratou, nos quais se incluem os trabalhadores agrícolas, a quem a música não enche a barriga.

O já estafado Herman José vai lançar este mês um disco intitulado “Adeus, Vou Ali Já Venho”. Este título não será grande de mais? Não bastaria só o “Adeus”?

Finalmente os cornos

Enredado por problemas que se prendem com camisolas do Aljustralense na abertura das minas das pirites alentejanas, o seu grande amigo Manuel Pinho, acabou com a festa ao ensaiar uma tourada em plena Assembleia da República, numa investida contra o capote vermelho de Bernardino Soares. Estava dada a estocada final. Confrontado com este inédito incidente, Sócrates limitou-se a dizer “julgo ser meu dever, em nome do Governo, apresentar um pedido de desculpas aos grupos parlamentares e aos senhores deputados”, não se tendo sequer dirigido ao deputado ofendido nem ao seu partido. Mais uma vez o líder socialista esteve mal: primeiro porque não tem a certeza e “julga” e em segundo lugar, porque do cimo da sua arrogância e da sua prepotência se esqueceu do essencial que era pedir desculpas ao povo português, cuja casa mor foi ofendida por um senhor que o povo não escolheu para o representar e muito menos para ensaiar touradas naquele que deveria ser o bastião da democracia.

Mas as confusões continuam no partido socialista português que decididamente está a passar as passas do Algarve. Para as eleições europeias, os candidatos a deputados podiam em simultâneo candidatar-se às presidências de uma qualquer edilidade. Para as legislativas, os candidatos ao Parlamento não se podem candidatar às edilidades. Será que no meio desta bagunça o PS sobrevirá ao domínio cada vez mais acentuado do Bloco de Esquerda??? Duvido…

O embaciamento do espelho

Apesar de ter reconhecido alguns erros, sempre acompanhados de esfarrapadas desculpas, Sócrates saiu dos estúdios como havia entrado: prepotente, arrogante e senhor de uma autoridade que o eleitorado lhe havia negado. As hostes dividiram-se ainda mais, e as críticas só não subiram muito de tom porque como a esperança é quem morre por último, ainda havia a hipótese de conquistar os portugueses com o anúncio de distribuir uns milhões de euros pela populaça, que iria nessa altura substituir os banqueiros que estão a ser financiados por todos nós.

A carreira deste político já vinha manchada por diversas e muitas trapalhadas, como sejam a luta que comprou com Cavaco Silva a propósito do estatuto dos Açores, o Caso Freeport, em que só os ingleses sabem até que ponto poderá estar ou não envolvido, os ataques à TVI e consequentemente a Manuela Moura Guedes e ao seu marido José Eduardo Moniz, o anúncio de obras faraónicas e tantas outras, que em nada dignificam a sua já desgastada imagem.

A penugem do cordeiro

Sócrates, abandonado por tudo e todos põe-se a jeito para uma qualquer entrevista num espaço televisivo, não se vitimizando, esquecendo-se de ressuscitar a tese da cabala e ainda menos a campanha negra de que se dizia ser vítima por parte do PSD. Sócrates parecia um verdadeiro cordeiro, mas esqueceu-se de deitar creolina na penugem de lobo que mal disfarçou.

O regresso dos esqueletos

Enquanto isto, Manuela Ferreira Leite, contestada no seu partido e fora dele, não teve mãos a medir para cumprimentar os muitos que saídos das catacumbas voltavam à ribalta na esperança de um tachozito qualquer. Apareceram todos, mesmo os mais contestatários, excepção feita a alguns que mostraram ainda ter alguma dignidade.

A fuga dos ratos

Na altura da pronunciação dos resultados das eleições europeias, os (socialistas?) que estavam na sede de campanha abandonaram à sorrelfa aquele local, perdidas que estavam as eleições. Nem os eternos fiéis se deixaram ver. Estava em causa muitos tachos, e, consequentemente benefícios e mordomias que viam esvair-se por entre os dedos das mãos que eventualmente podem ficar sem os ornatos.

Roubo descarado

 

 

 

O recente aparecimento, especialmente nos vários canais de televisão, de anúncios da Associação Nacional de Farmácias (ANF) que incitava as farmácias a desrespeitarem a lei que proíbe a alteração das prescrições médicas, nas respectivas receitas, mesmo que o médico prescritor não o autorize, e o consequente alarido que o mesmo provocou, veio pôr a nu o desrespeito total da ANF da lei estabelecida e algo mais que no meu entender é muito mais grave e envolve muita gente que tem feito riqueza à custa dos doentes e do próprio Orçamento Geral do Estado.

João Cordeiro, o todo poderoso da ANF, passa-se por vezes dos carretos e com instinto malévolo investe impunemente contra todos e contra tudo. Que este senhor vele pelos direitos dos seus associados, nada a dizer, porque ao defender estes está ao mesmo tempo a defender as várias farmácias que ele próprio controla, isto porque há muito boa gente que atesta ser este dirigente proprietário directa ou indirectamente de vários estabelecimentos.

Pode-se ou não concordar com a lei. Todavia ela está em vigor e outro remédio não há do que respeitá-la.

Mas com o que se não pode concordar é que os genéricos constituam um autêntico filão de ouro para os farmacêuticos, e consequentemente para a ANF que tem uma parte muito activa na distribuição e comercialização.

Por vezes os vários ministros da Saúde arvoram a bandeira do verdadeiro sucesso dos genéricos apontando índices de crescimento elevadíssimos. Correia de Campos foi o primeiro a fazê-lo, mas esqueceu-se sempre de que um mercado que parte do zero, ao vender uma só embalagem regista um crescimento de 100%. Isto é aritmética pura da antiga 4ª classe.

Mas neste imbróglio não se pode acusar somente ministros ou João Cordeiro. Toda esta questão envolve muito boa gente, nomeadamente, governantes, Ordem dos Médicos, dos Farmacêuticos e até médicos franco atiradores que se prestam a “fazer o favor” de se deslocarem a algumas farmácias para alterarem as receitas dos colegas. Sobre isto a Ordem dos Médicos nunca se pronunciou.

Sócrates e Teixeira dos Santos têm movido uma inexorável perseguição a  todos os que não cumpram com os seus deveres perante o fisco. Todavia, esquecem-se sempre dos mais poderosos. É mais fácil atacar famílias ou pessoas indefesas do que investir contra os detentores das grandes fortunas, como de resto se tem visto nestes últimos tempos, em que os jornais se enchem de parangonas de verdadeiros escândalos.

Nesta última semana, sob o título “o negócio escondido dos genéricos” O Expresso aflorou na primeira página algo que pode conduzir a um verdadeiro escândalo que ultrapassa o “Caso Freeport” quer em dimensão, mas sobretudo em fugas ao fisco que podem atingir vários milhares de milhões de euros que até agora foram sonegados nas declarações de rendimentos das farmácias.

Dito de outra forma, quando uma farmácia requisita por exemplo uma centena de caixas de um determinado genérico, o laboratório dá uma borla da mesma quantidade de caixas ou mais.

Até aqui dou de barato o procedimento. Todavia interessa perguntar o seguinte: se só foram facturadas as tais 100 embalagens, como é que a farmácia factura as restantes 100? E o que é que acontece com os 5% do IVA?

O que é que se pode chamar a tudo isto: comportamento ilegal, desrespeito pela lei e fuga ao fisco, para não ir mais longe? Ainda há pano para mangas para tipificar este procedimento.

Tudo isto se passa com o conhecimento da indústria do medicamento, dos governantes, dos farmacêuticos e sobretudo das várias Ordens profissionais, que não estão isentas de culpa porque não desconhecem o assunto.

Que a Ordem dos Farmacêuticos tenha “encapotado” o assunto e que a ANF até se sinta satisfeita com tamanha artimanha não me estranha, mas que a Ordem dos Médicos que se diz defensora da legalidade (?) e dos doentes não tenha já despoletado o assunto é no mínimo estranho… Haverá mais qualquer coisa???