Uma desgraça nunca vem só

Pedro Nunes e parte da sua equipa dirigente representam cada vez menos os interesses dos médicos portugueses. Na regional do Sul, ao que parece, existe um divórcio quase total entre os seus membros que continuam a contestar as medidas de tesouraria. A aposta tem sido em construir estalagens fantasmas e sedes distritais que mais não são do que mausoléus, onde ninguém entra com medo dos fantasmas que por ali pairam. Mas o bastonário desta vez excedeu tudo o que era expectável e rompeu com um dos dirigentes mais importantes da classe. Estou-me a referir a Luis Filipe Gomes que renunciou a todos os seus cargos, nomeadamente de secretário-geral da UEMO e de membro do Conselho Nacional para a avaliação da Formação da OM. Tudo isto resulta do facto de Pedro Nunes se ter revelado contra a criação de um curso de Medicina na Universidade do Algarve. Esta atitude, para além de manifestar a prepotência do bastonário, é discriminatória e desajustada, já que faz pensar que PN prefere que os jovens portugueses e, consequentemente, as suas famílias gastem fortunas para frequentar Medicina em Espanha e nos países de Leste. O curso poderá não corresponder às expectativas técnicas e científicas que deveria merecer. Mas onde é que andava Pedro Nunes quando foram criados os cursos na Madeira, Açores, Cova da Beira e outros mais? Definitivamente, PN terá que regressar às consultas de oftalmologia do Egas Moniz. Porque quem assim procede não merece a confiança dos seus pares e muito menos dos dirigentes da Faculdade de Ciências Médicas, onde dizem pretende exercer funções docentes.

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